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20/05/2011 08h15 - Atualizado em 21/05/2011 10h11

MoMa edita obra de Mário Pedrosa

Museu de Arte Moderna de Nova York vai publicar livro com ensaios, alguns inéditos, do respeitado crítico brasileiro

 


Reprodução
Pedrosa. Sentença d earte como 'exercício experimental da liberdade'


"Não temos hoje alguém que possa trabalhar em tantas esferas diferentes como a crítica, a política e ainda erguer museus", diz Jay Levenson, diretor do Programa Internacional do MoMA (Museum of Modern Art) de Nova York, sobre o crítico brasileiro Mário Pedrosa (1900-1981). Já é um projeto antigo, mas agora o museu norte-americano, uma das instituições de maior prestígio no mundo, está preparando um amplo livro sobre o crítico que, como já definiu a filósofa Otília Beatriz Fiori Arantes, foi o "principal responsável pela modernização das nossas artes (brasileiras) na segunda metade do século (20)". Mas, curiosamente, apesar de sua trajetória intensa e com passagens em tantos países, Pedrosa é um desconhecido nos EUA - pouquíssimos de seus textos foram traduzidos para o inglês.

 

"É importante ver a arte brasileira por meio de seus olhos, ver um período por meio de uma personalidade", continua Levenson, que esteve esta semana em São Paulo e no Rio, em passagem rápida justamente para tratar do projeto do livro sobre Pedrosa. A publicação Mário Pedrosa - Uma Antologia está programada para ser lançado no MoMA em 2013, quando o museu vai realizar uma retrospectiva da artista brasileira Lygia Clark (1920-1988), com curadoria do venezuelano Luis Pérez-Oramas (que agora, em licença da instituição, está preparando a 30.ª Bienal de São Paulo, a ser inaugurada em 2012). O MoMA, na ocasião do lançamento do livro e da mostra de Lygia, vai promover um extenso seminário sobre os dois brasileiros.

fonte: O Estado de São Paulo

 

 

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A obra de Mário Pedrosa, sumidade no Brasil, está bem apresentada em antologias já realizadas por Otília Arantes e por Aracy Amaral, mas a publicação sobre o crítico a ser lançada pelo museu norte-americano representa o peso de um reconhecimento em nível internacional de uma "filosofia da arte brasileira", como diz o curador e crítico Paulo Herkenhoff, que participa do projeto.

"Da década de 1920 até a sua morte, ele partiu do modernismo e chegou ao contemporâneo, sendo ainda um pioneiro do pós-modernismo, interessado no imaginário, na luta pela liberdade", analisa o curador.

Jay Levenson conta que foi Herkenhoff quem lhe apresentou a figura de Mário Pedrosa, quando o curador brasileiro trabalhou no departamento de pintura e escultura do MoMA, entre 1999 e 2002. O livro sobre Pedrosa integra o programa de publicações Primary Documents que, da América Latina, já tem lançadas edições sobre o crítico e fotógrafo venezuelano Alfredo Boulton e de escritos que se centram na década de 1960 na Argentina. A coleção ainda se dedica a fazer trabalhos sobre o Leste Europeu, a Ásia e África, como explica Levenson.

"Temos muito claro o conceito do livro e prefiro dizer que os editores sejam Paulo Herkenhoff e Glória Ferreira. Sou um facilitador para que ocorra a publicação, busco os recursos", afirma o diretor do MoMA. Segundo ele, a obra terá cerca de 400 páginas, incluindo entre 60 e 70 ensaios de Mário Pedrosa, ilustrações e ampla cronologia como contextualização dos temas e dos períodos para os americanos. Mais ainda, a publicação contará com textos de autores convidados como Lauro Cavalcanti (para falar de arquitetura); Vera Pedrosa (filha do crítico); Catherine Bompuis (ex-curadora do Centro George Pompidou); e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Mário Pedrosa foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores).

"Estamos muito preocupados com as traduções dos textos de Pedrosa para o inglês. Seus primeiros escritos saíram em jornais e algumas vezes há erros de tipografia", diz Levenson, acreditando que serão necessários cerca de nove meses para traduzi-los.

A pesquisa dos ensaios de Pedrosa que integrarão o livro está sendo feita em parceria com a família do crítico e por meio dos arquivos do intelectual guardados na Biblioteca Nacional, no Rio. "Encontramos alguns inéditos sobre o Oriente", diz Herkenhoff, contando que Pedrosa esteve nos anos 1950 no Japão.

A edição é realizada, a princípio, para o público norte-americano, mas há projeto de se fazer edição em português do livro no futuro. Como conta Levenson, por meio de parcerias com a Fundação Cisneros da Venezuela e da Fundação Proa, da Argentina, foi possível lançar em espanhol as outras duas publicações latino-americanas da coleção.

QUEM É MÁRIO PEDROSA
CRÍTICO DE ARTE E PROFESSOR

A sentença arte como "exercício experimental da liberdade" se tornou a expressão predileta - e assinatura - de Pedrosa. Nascido em Timbaúba (PE), em 1900, e morto no Rio, em 1981, estreou como crítico em 1933 ao proferir conferência sobre a obra da escultora e gravadora alemã Käthe Kollwitz. Foi próximo e mentor de criadores, defensor do neoconcretismo, interessando-se ainda por arquitetura. Participou das Bienais de São Paulo de 1953 e 55; diretor do MAM-SP em 61; e ajudou a fundar o Museu da Solidariedade, no Chile. Por sua postura política, de esquerda, teve de se exilar mais de uma vez do Brasil.


 
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